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EM DUAS HORAS E MEIA, CHOVEU EM CURITIBA UM TERÇO DO PREVISTO PARA ABRIL; ÁGUA INVADIU RESIDÊNCIAS E QUASE PROVOCOU MORTES

 Móveis e eletrodomésticos danificados, colchões encharcados, casas quase inabitáveis, 50 mil unidades sem luz, cinco pontos de alagamentos e um buraco em uma das principais ruas no Centro de Curitiba. Esse cenário foi o resultado de duas horas e meia de chuva torrencial na tarde de ontem, na capital. Segundo o Instituto Tecnológico Simepar, choveu nessas poucas horas 35 milímetros, o equivalente a um terço do previsto para o mês inteiro de abril. FOTOS: Veja imagens da chuva VÍDEO: Assista ao vídeo com depoimentos dos moradores do Boqueirão Os bairros mais afetados foram Centro, Xaxim, Boqueirão e Alto Boqueirão. Em São José dos Pinhais, no bairro Cidade Jardim, também houve registro de alagamento. Além dos danos materiais, a água quase levou vidas nas inundações. Na Vila Nova, no bairro Alto Boqueirão, Alcione Martins da Silva, 49 anos, quase perdeu o neto Cauã, 2, na inundação. Cauã estava dormindo no sofá, quando o córrego conhecido por “Valetão” subiu e inundou a casa. Segundo Alcione, a criança estava sendo levada pela água quando seu pai conseguiu pegá-la. “A vida aqui não é fácil. A gente mora aqui porque não tem escolha”, explica. Do outro lado do ribeirão que corta a Vila Nova, Tereza Freitas, 60, não conseguia segurar o choro ao ver toda sua casa cheia de lama e molhada. “Perdi tudo que tinha”, lamenta. Ela e a irmã quase se afogaram também. Quando a altura da água já passava o pescoço das duas, o sobrinho delas, André Luiz Farias, de 21, conseguiu resgatá-las. Depois de nadar até a casa das tias, André abriu a janela do quarto dos fundos da residência para retirá-las. Segurança Até o início da noite de ontem, a Fundação de Ação Social (FAS), a Guarda Municipal e uma representante da Pastoral da Criança tentavam convencer famílias a deixarem suas residências, sem muito sucesso. Os órgãos faziam um levantamento para saber quantas famílias precisariam de lona ou de um local seguro para ficar. Durante a chuva, o Corpo de Bombeiros esteve na Vila Nova para resgatar moradores ilhados. “Se sairmos daqui, roubam tudo”, explica a auxiliar de produção Simone Aparecida Naiser, negando a possibilidade de ir para um abrigo. Simone é moradora da Rua Laranjeiras do Sul, na Vila Hortência, no Alto Boqueirão, vizinha de outras duas localidades prejudicadas pela tempestade, a Vila Nova e Jardim Pantanal. A Rua Laranjeiras do Sul também ficou submersa. Com baldes e rodos, adultos e crianças se ajudavam na limpeza. “A gente ergue o que pode”, conta Simone. No terreno dela moram dez crianças e sete adultos em duas casas. Tudo foi inundado. Rios No Boqueirão, as ruas Tenente Tito Teixeira de Castro e 25 de Agosto viraram rios. Nas duas localidades, famílias passaram o domingo de Páscoa limpando os estragos da enxurrada e tentando superar mais um trauma causado pela inundação. Cerca de 20 casas foram atingidas e também um córrego que transbordou. Para o casal Alan Francisco Pereira, 24, e Adriana Maria Lopes, 21, o prejuízo foi duplo. A água invadiu a casa, onde também funciona uma sorveteria, e a construção vizinha, que pertence à avó de Alan. “Temos um prejuízo material e moral, porque esse terreno é nosso e pagamos impostos caros”, argumentava Adriana, enquanto limpava a entrada de casa.

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