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ENQUANTO A COLHEITA DE SOJA DO ESTADO DO CENTRO-OESTE DÁ SALTO DE 11 MILHÕES DE TONELADAS, ESCOAMENTO DO GRÃO PELO PORTO PARANAENSE SOBE 211 MIL TONELADAS, ENTRE 2000 E 2011

 A safra de soja de Mato Grosso quase triplicou desde 2000, mas o volume enviado pelo estado para o mercado internacional via Porto de Paranaguá ficou praticamente estagnado. Dono de uma colheita superior a 21 milhões de toneladas nesta temporada – a maior do país – o estado do Centro-Oeste destinou, no ano passado, 211 mil toneladas a mais ao corredor de exportação paranaense em relação ao que enviava no início da década, conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC/Secex). Embora apresente lenta evolução ano a ano, em 2011, 840 mil toneladas de soja em grão deixaram o Mato Grosso rumo a Paranaguá, contra 628 mil toneladas embarcadas em 2000/01, quando a colheita mato-grossense de soja alcançava 9,64 milhões toneladas. No acumulado de 2000 a 2011, a participação do porto paranaense nos destinos internacionais do estado fica em 10%, mesmo porcentual abocanhado pelo vizinho catarinense São Francisco do Sul. Atualmente, o Mato Grosso é o principal estado fornecedor de soja de Paranaguá. Só perde em volume para os embarques do próprio estado, que em 2011 destinou mais de 5,3 milhões de toneladas do grão ao Litoral. Com a conclusão das reformas previstas para os portos instalados na Região Centro-Norte do país, a tendência é que o Mato Grosso desvie cada vez mais do corredor de exportação paranaense. “É uma mudança natural, devido aos custos de logística e transporte”, avalia Glauber Silveira, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Soja (Aprosoja). Ele lembra que a maior parte das exportações do estado é destinada ao porto de Santos, mas que serão os portos de Itaqui (MA) e Santarém (PA) que devem dar importante suporte à safra mato-grossense de grãos. Ele também aponta problemas no Porto de Paranaguá. “O porto tem problemas de estrutura e não tem evoluído muito nesse sentido. Não teve ampliação, não tem calado e a capacidade de descarga e de exportação é muito lenta”, enumera. De acordo com o Imea, 63% da safra de soja de Mato Grosso foram escoados pelo canal paulista no ano passado.Para Cleber Noronha, analista de grãos do Imea, a maior extensão de ferrovias entre as praças de Mato Grosso e Santos justifica essa manobra. “Boa parte do trajeto de Mato Grosso até Santos é feita por meio de ferrovias, que barateiam o custo do transporte. Já no caso de Paranaguá, o trecho rodoviário corresponde a mais da metade do caminho até o Porto”, afirma ele. Apesar de o preço do frete de Rondonópolis para Paranaguá ser mais barato, R$ 140 em média, segundo o analista, ainda é vantajoso escoar a produção para o porto paulista, cujo valor do frete é de R$ 147. “A compensação está na diferença de custo dos modais que são utilizados para chegar até o destino”, diz ele. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), conta justamente com o Mato Grosso para compensar eventuais quebras de safra. “Com a quebra da colheita no Paraná neste ano, estimada em 5 milhões de toneladas a menos – 2,3 milhões só de soja –, fomos negociar com outros mercados para garantir que o porto continue operando com sua capacidade máxima”, afirma Lourenço Fregonese, diretor da Appa. A estratégia, segundo ele, justifica o aumento de 40% nas exportações de Paranaguá neste primeiro bimestre em relação a 2011.

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