AS RUAS DA CAPITAL TÊM CERCA DE 2,1 MIL USUÁRIOS DE ÁLCOOL OU DROGAS. REPORTAGEM ENCONTROU SEIS PONTOS DE CONSUMO E VENDA DE CRACK NA CIDADE
Cerca de 70% das pessoas em situação de rua em Curitiba consomem álcool ou algum tipo de entorpecente. São, em média, 3 mil pessoas vivendo nas ruas da capital, segundo a Coordenadoria de Resgate Social da Fundação de Ação Social (FAS). O crack é a droga predominante entre esses indivíduos. E não é incomum encontrá-los nas calçadas, esquinas e praças, tragando o entorpecente em suas latinhas ou cachimbos. De janeiro a novembro de 2011, o telefone 156 da prefeitura recebeu 2.409 denúncias contra pessoas alcoolizadas ou drogadas nas ruas – em torno de sete reclamações por dia.
Na última semana, a reportagem da Gazeta do Povo encontrou seis pontos de consumo de crack no Centro e outros bairros de Curitiba. O objetivo foi tentar entender a realidade desses usuários, que constituem hoje um dos principais problemas de saúde pública do país.
Em um dos pontos, no Parolin, algumas pessoas foram flagradas vendendo a droga, comportamento comum entre os usuários de crack, que passam a traficar para sustentar o vício. Em plena luz do dia, um rapaz, aparentando 18 anos, caminhava tranquilamente com uma pistola preta no meio da Rua Antônio Parolin Junior – entre as ruas Brigadeiro Franco e Lamenha Lins. Tudo a uma quadra do Centro de Referência de Assistência Social da FAS.
Diferentemente de São Paulo, onde há uma grande “cracolândia” na região central, Curitiba tem pontos de consumo da “pedra” em quase todas as regiões da cidade. “Em Curitiba tem vários locais até pela escala de tamanho da cidade. É possível [que tenhamos uma cracolândia como em São Paulo], mas acredito que pelas [pequenas] dimensões da cidade seja mais complicado acontecer isso aqui”, explica o coordenador do Centro de Estudos da Violência da UFPR, Pedro Bodê. Por Curitiba ser uma cidade menor, a concentração de usuários em uma área teria mais visibilidade.
Desde o início do mês, a “cracolândia paulista” virou alvo de diversas operações policiais. Em 17 dias, mais de 2 mil pessoas foram abordadas por agentes de saúde, 99 foram internadas e 12 encaminhadas para tratamento. As intervenções não foram totalmente apoiadas pelas entidades sociais, pois teriam provocado uma migração dos usuários para outros locais. Nenhuma operação semelhante foi feita em Curitiba até agora.
Créditos : HTTP://WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/VIDAECIDADANIA/CONTEUDO.PHTML?TL=1&ID=1215670&TIT=CONSUMO-E-VENDA-DE-CRACK-SE-ESPALHAM-POR-CURITIBA
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