CORTADA POR 80 QUILÔMETROS DA BR-116, CAMPINA GRANDE DO SUL SE DESTACA NACIONALMENTE PELAS ESTATÍSTICAS DE MORTES CAUSADAS POR ACIDENTES DE TRÂNSITO E HOMICÍDIOS
Para quem caminha pelo centro de Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, é difícil acreditar que está em uma das cidades mais violentas do país. Nas ruas, pouquíssimos carros dividem espaço com pedestres e nem mesmo semáforos são necessários nos cruzamentos. Entretanto, o município de aproximadamente 40 mil habitantes é o que tem a maior taxa de óbitos de pedestres no país, entre as cidades acima de 25 mil habitantes, e a segunda em mortes relacionadas a transportes, entre as que têm mais de 10 mil moradores. Aparece ainda em terceiro lugar no país no índice de homicídios.
Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2011, do Instituto Sangari. As estatísticas de trânsito são alimentadas pela presença de um perigoso trecho rodoviário: os cerca de 80 quilômetros da BR-116 que cortam o município. A ligação de São Paulo a Curitiba pela BR-116 ganhou o título de “rodovia da morte” por ter o maior índice de acidentes com mortes de todo o país. Apesar de totalmente duplicado, o trecho que corta Campina Grande do Sul é considerado de alto risco.
Dados da Polícia Rodoviária Federal e do Hospital Angelina Caron mostram que somente no ano passado foram 52 mortes em acidentes nesse trecho, das quais 17 por atropelamento. O levantamento do Instituto Sangari, feito com base em dados de 2008, contabilizou 16 mortes de pedestres, uma proporção de 53,7 mortes a cada 100 mil habitantes.
“Eu mesma já vi muita gente morrer aqui na rodovia”, diz a dona de casa Eugênia Botelho, que vive há mais de 30 anos no Jardim Paulista, localizado às margens da rodovia. Apesar de duas passarelas garantirem maior segurança aos pedestres, os acidentes ainda são frequentes. A preocupação maior de Eugênia, contudo, é outra: “A gente quase não tem segurança. É muito assalto, não tem como sair à noite.”
Os números do Mapa da Violência colocam a cidade na terceira posição nacional em taxa de homicídios. O total de assassinatos cresceu de 27, em 2006, para 46, em 2008. “A quantidade de vítimas de acidentes tem acompanhado o crescimento da população. Já os ferimentos por arma de fogo explodiram”, afirma Antônio Luiz Toso Filho, médico do Siate que atende toda a região metropolitana.
Créditos : HTTP://WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/VIDAECIDADANIA/RETRATOSPARANA/CONTEUDO.PHTML?TL=1&ID=1174061&TIT=A-CIDADE-QUE-FICA-NO-CORREDOR-DA-VIOLENCIA
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