LEVANTAMENTO FEITO COM BASE EM 19 QUESITOS MOSTRA QUE A CIDADE NÃO TEM UNIDADES DE CONSERVAÇÃO. SECRETARIA CONTESTA DADOS
Curitiba é a 6.ª capital brasileira com as melhores ações políticas relacionadas à questão ambiental. A capital paranaense fica atrás de Rio de Janeiro (que lidera), Manaus, Belo Horizonte, Vitória e Porto Alegre em um levantamento que leva em conta desde o alcance do serviço de água e esgoto até a obtenção, pelo município, de financiamento para ações ambientais recentes. A pesquisa desenvolvida em um programa de pós-graduação da Câmara dos Deputados, em Brasília, chama a atenção para a amplitude dos dados levantados. São 19 quesitos apurados nos 1.092 municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes na área urbana.
Em relação ao líder Rio de Janeiro, Curitiba perde pontos devido às limitações de seu Conselho Municipal de Meio Ambiente, instituído para ter caráter apenas deliberativo (tomar a decisão final). O mesmo órgão, no Rio, tem poder consultivo, deliberativo, normativo e fiscalizador. Além disso, em Curitiba o conselho não havia se reunido nos 12 meses anteriores à coleta dos dados, o que fez com que a cidade deixasse de somar pontos. Contatada pela Gazeta do Povo, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente contesta a informação e afirma que o conselho se reúne uma vez a cada dois meses.
Outro fator que faz a capital paranaense perder pontos é a porcentagem da área urbana coberta por Unidades de Conservação (UCs). O levantamento registra 0%, enquanto no Rio, 23% da cidade é legalmente conservada. Entretanto, a secretaria aponta a existência de 15 UCs municipais, como os parques Tanguá, São Lourenço e Barigui.
Coleta de lixo
A capital paranaense se destaca na coleta seletiva de lixo, feita em toda a cidade. No Rio, ela é feita parcialmente – os caminhões não entram nas áreas de favela devido às dificuldades de acesso e ao controle exercido pelo tráfico em algumas áreas. É um problema crônico reconhecido pelas autoridades municipais, que começou a ser combatido a partir da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
No Paraná, Curitiba é a líder do ranking, seguida por Apucarana, Maringá, Campo Largo, Dois Vizinhos e Foz do Iguaçu. Entre os municípios pesquisados, as piores colocações são as de Bandeirantes e São Mateus do Sul, os únicos do estado com nota considerada ruim. Dos 68 municípios pesquisados, nove são classificados com índice bom, 30 como favoráveis, 22 são regulares e cinco têm índice desfavorável. O Paraná é o 4.º estado mais bem classificado, atrás de Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Os piores são Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Goiás.
Autora da pesquisa, Carla Marione Rocha, especialista em Legislativo e Políticas Públicas, aponta para a necessidade de tornar os dados ambientais mais fáceis de entender. “É indispensável vislumbrar indicadores e instrumentos para monitorar os esforços em direção ao tão desejado desenvolvimento sustentável”, diz. “Pesquisadores revelam que a legitimidade do conceito de sustentabilidade não veio acompanhada de uma discussão a respeito das medidas necessárias para alcançá-la.”
Créditos : HTTP://WWW.GAZETADOPOVO.COM.BR/VIDAECIDADANIA/CONTEUDO.PHTML?TL=1&ID=1173602&TIT=CURITIBA-E-A-6-COLOCADA-EM-POLITICAS-AMBIENTAIS
PÁG. ANTERIOR