OS NÚMEROS DA EPIDEMIA DE DENGUE REGISTRADA ESTE ANO EM LONDRINA DEVEM BATER UM TRISTE RECORDE. DESDE O COMEÇO DO ANO, JÁ FORAM CONFIRMADOS 6.287 CASOS E QUATRO MORTES. AS PROJEÇÕES APONTAM QUE A CIDADE DEVE SUPERAR OS REGISTROS DA PIOR EPIDEMIA ENFR
De acordo com o boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (9) pela Secretaria Municipal de Saúde, Londrina notificou neste ano 11.881 casos suspeitos, descartou 3,4 mil e ainda faltam 2.194 para serem analisados. A previsão é que a Secretaria conclua todas as análises dentro de um mês. Somente na última semana, foram confirmados 380 novos casos da doença. Se mantida a média, em três semanas a cidade registrará a pior epidemia de sua história.
Esta semana deve ser concluído o treinamento para porteiros e síndicos de alguns condomínios da cidade. A Secretaria Municipal de Saúde também articula com 200 imobiliárias uma capacitação com os corretores para que eles verifiquem quinzenalmente focos do mosquito Aedes aegypti em imóveis fechados para venda ou aluguel.
Das quatro mortes, a última vítima foi uma mulher de 64 anos, que ficou internada no Hospital Universitário (HU) por mais de dois meses. A diretora de epidemiologia da Secretaria de Saúde, Sandra Caldeira, informou que a mulher deu entrada no HU com sintomas de Febre Hemorrágica da Dengue. Ela teve uma série de complicações, a mais grave foi uma encefalite, que a levou a óbito em 27 de abril.
Sandra explicou que o número de mortes por dengue deve aumentar a cada epidemia. “Quanto mais o tempo passa, mais as pessoas se contaminam e são reinfectadas”, afirma. A possibilidade de a doença se agravar aumenta quando a vítima contrai o vírus pela segunda vez. “Aumenta o risco de casos graves e o número de mortes cresce a cada ano”, justificou.
O médico infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em São Paulo, Stefan Cunha Ujvari, não concorda com essa avaliação. Segundo ele, quando uma pessoa contrai dengue pela segunda vez, é maior o risco de desenvolver complicações pela doença, mas isso não quer dizer que a mortalidade também vai aumentar.
O infectologista explicou que, quando uma pessoa contrai um tipo de vírus da dengue, ela tem uma pequena chance de ter a forma complicada da doença, como a febre hemorrágica ou o choque pela dengue. Depois de curada, a pessoa cria anticorpos que impedem o organismo de contrair o mesmo sorotipo, mas não o protege contra outros tipos – a dengue possui quatro diferentes sorotipos.
“Quando ela fica doente pela segunda vez, os anticorpos ajudam a aumentar a chance de ter complicações”, afirmou. Mesmo assim, os riscos não são muito grandes. Ele informou que se uma população inteira de determinada região teve dengue, numa nova epidemia, a chance de ter formas complicadas aumenta. “Mas isso não quer dizer que a mortalidade vai aumentar. Depende do diagnóstico precoce e do tratamento mais rápido”.
Na avaliação de Ujvari, a principal forma de combate à doença é manter campanhas de prevenção para que a população tome conta do quintal das próprias casas. Ele disse que o mosquito se prolifera muito rápido e dificilmente será eliminado com a crescente urbanização e quantidade de lixo presente nas cidades.
Média de notificações cai para 300 – Apesar de o número de confirmações da doença crescer a cada semana, a média de notificações já é bem menor que a registrada durante o pico da epidemia em fevereiro, de 1,2 mil casos por semana. “Estamos com uma média de 300 notificações”, informou Sandra Caldeira.
A diretora de epidemiologia disse que todas as regiões da cidade têm notificado uma quantidade semelhante de casos. Com relação às confirmações, a região leste, que foi o centro da epidemia este ano, registrou o maior número de casos (2.300), seguida das regiões norte (1.126), oeste (1.008), sul (960), centro (853) e zona rural (40).
Paraná – Quatorze pessoas já morreram de dengue no Paraná em 2011, contabilizados os casos até a última sexta-feira (6). Os números são do relatório de acompanhamento da evolução da doença, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nesta segunda (9). O Paraná já notificou 49.589 casos suspeitos da doença, confirmou 18.214 e descartou 13.153.
Ao contrário do que ocorre em Londrina, o Paraná não deve repetir a mais grave epidemia já registrada no estado, no ano passado, quando mais de 33 mil casos e 15 mortes pela doença foram confirmados. Segundo o superintendente de Vigilância da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), Sezifredo Paz, a tendência a partir de agora é de diminuição da infestação.
Ele lembrou que a atual epidemia teve início no final de 2010 em alguns municípios, ano em que o ciclo da doença não foi interrompido. “Queremos estruturar os serviços para romper esse ciclo endêmico da doença”.
De acordo com o novo boletim epidemiológico, 90% dos casos confirmados se concentram nas Regionais de Saúde de Foz do Iguaçu, Londrina, Cornélio Procópio e Jacarezinho. Segundo o relatório, 18.222 casos suspeitos permanecem em investigação
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