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O ESTUDANTE MARCOS VINICIUS ALVES, 16, SAIU DA TENDA ANEXA AO HOSPITAL MUNICIPAL PROF. DR. WALDOMIRO DE PAULA, EM ITAQUERA, NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO, COM UMA CERTEZA: ESTAVA COM DENGUE.

 O estudante Marcos Vinicius Alves, 16, saiu da tenda anexa ao Hospital Municipal Prof. Dr. Waldomiro de Paula, em Itaquera, na zona leste de São Paulo, com uma certeza: estava com dengue. Aquela era a segunda vez que ele fazia um exame de sangue para comprovar o diagnóstico. Porém, Marcos não chegou a fazer o exame específico para identificar o vírus da dengue. Seu diagnóstico foi clínico-epidemiológico, ou seja, o médico soube que o adolescente tinha a doença por vários motivos: ele estava com sintomas da doença, tinha uma baixa contagem de plaquetas pelo exame de sangue, e, principalmente, porque o jovem vive em um bairro que está em situação de epidemia, que é o caso de Itaquera. A região tem um coeficiente de incidência de 414 casos por 100 mil habitantes, segundo o último balanço divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo. A situação é considerada epidêmica a partir de 300 casos por 100 mil habitantes, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). Em uma situação de epidemia, como é o caso do estado de São Paulo, o exame específico para diagnosticar a dengue com precisão é deixado de lado. O exame só é feito nos lugares que não estão em situação de epidemia ou que estão no começo de uma infestação do mosquito para orientar o trabalho de combate ao inseto. Assim, os agentes sabem onde devem ir para dedetizar as casas e procurar focos do mosquito. Depois que já há uma epidemia, a prefeitura confia no diagnóstico clínico-epidemiológico, ou seja, na soma dos sintomas com o exame de sangue para a contagem dos níveis das plaquetas e a informação sobre onde a pessoa vive, se é uma região epidêmica. Segundo a gerente do Covisa (Centro de Controle de Doenças da Coordenação de Vigilância em Saúde), Rosa Maria Dias Nakazaki, se não houvesse uma epidemia, além do hemograma, Marcos faria um exame específico para confirmar a doença. O teste a ser aplicado depende do dia em que os sintomas começaram a se desenvolver e de quando o paciente procurou atendimento. Se o paciente procura o serviço de saúde assim que os sintomas surgem, são dois os exames que podem dar o diagnóstico preciso: o NS1 e o PCR. Eles podem ser feitos nos primeiros cinco dias após o surgimento dos sintomas. O primeiro detecta a proteína NS1 do vírus da dengue na corrente sanguínea. Esse exame consegue detectar até 80% dos casos. O PCR, que detecta o material genético do vírus, tem uma sensibilidade maior, de 90%. Caso o paciente procure o serviço de saúde após o quinto dia do surgimento dos sintomas, ele precisaria ser submetido a um teste de sorologia. As provas sorológicas vão mostrar a presença do anticorpo IgM, produzido pelo corpo para combater o vírus da dengue. Rede privada – Para o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Alexandre Marra, o diagnóstico não deve ser visto como mero formalismo. “Diagnóstico é importante para ter certeza que é dengue, porque os sintomas se assemelham ao de outras doenças, como meningite, por exemplo. No meu ponto de vista, o teste rápido dá segurança para o médico tratar de maneira adequada o doente”, afirma. Segundo o infectologista, os pacientes que chegam com sintomas de dengue no Albert Einstein são submetidos ao teste rápido ou ao exame sorológico, feitos de acordo com o tempo entre o atendimento e o surgimento dos sintomas. “Apenas o hemograma, a contagem dos níveis de plaquetas e glóbulos brancos, não garantem o diagnóstico. O exame de sangue sugere um quadro de dengue, mas há outras doenças que também reduzem os níveis dessas células sanguíneas”, acrescentou. Mas essa conduta não é padrão na rede privada. Os hospitais da rede São Camilo, de São Paulo, não contam com teste rápido para o diagnóstico da dengue. O infectologista da rede José Ribamar Branco contou que houve um aumento de 50% no atendimento do número de casos suspeitos de dengue, em relação ao mesmo período do ano passado. Por isso, a rede precisou adequar a logística do atendimento. “Como o que vale é o diagnóstico clínico, inclusive para a contabilização dos casos, criamos uma triagem específica para os casos suspeitos de dengue. O médico atende o paciente, vê o seu histórico, avalia sua condição clínica, pede que seja realizado o hemograma e orienta o paciente a voltar após dois dias”, explica. O momento da triagem, segundo Branco, é o mais importante. “Nele, avaliamos os pacientes que estão nos grupos de risco, ou seja, idosos acima de 65 anos, que possuem doenças crônicas, pessoas com diabetes ou que fazem quimioterapia. Esses grupos são pacientes que podem ter uma evolução diferente da doença, por isso são prioritários”, explicou.

Créditos : WWW.AMBIENTEBRASIL.COM.BR


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