O CHEFE DO NÚCLEO REGIONAL DE EDUCAÇÃO (NRE) DE PARANAVAÍ, PEDRO BARALDI, GARANTIU QUE AS PROPOSTAS FEITAS POR RICHA NÃO VÃO RESULTAR EM PERDAS DE DIREITOS QUE JÁ FORAM ADQUIRIDOS PELOS PROFESSORES
As aulas na rede estadual de ensino deveriam começar nesta segunda-feira. Deveriam, mas não vão. É que os professores decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A paralisação se estenderá até que o governo abra as negociações com professores e funcionários das escolas. Se antes o problema identificado era a defasagem de recursos humanos, agora professores e funcionários têm mais uma preocupação: “O total aniquilamento do plano de cargos e salários. Se aprovado, vai mexer com a aposentadoria de todo nós”, disse Francisco Lopes da Silva, diretor da APP-Sindicato de Paranavaí. Ele se referiu à proposta apresentada pelo governador Beto Richa à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Na avaliação da APP-Sindicato, haveria, por exemplo, redução dos anuênios, fim dos quinquênios, limitação do auxílio-transporte para os profissionais temporários contratados pelo Processo Seletivo Simplificado (PSS) e revogação de progressões e promoções. Além de desestimular os profissionais da educação, a prática dessas propostas teria efeitos negativos na formação de novos professores. É que sem os benefícios já conquistados pela categoria, seria, na opinião de Silva, mais difícil atrair estudantes para cursos universitários de licenciatura. NA REGIÃO - Também diretor da APP-Sindicato, Nivaldo Rocha falou sobre a situação das escolas de Paranavaí e dos municípios da região. Segundo ele, nenhuma estaria totalmente preparada para a volta às aulas. “Precariamente, todas”, disse. O diretor da APP-Sindicato explicou que materiais para o dia a dia ainda existem, porque há sobras do ano passado, mas “hoje as escolas estão afetadas pedagogicamente”. Silva ressaltou que as condições em que se encontram os estabelecimentos de ensino da região estão “em ressonância com todo o Estado”. Para exemplificar, citou a diminuição no porte das escolas - o porte é medido a partir do número de turmas. O processo se deu com o fechamento de algumas classes e a realocação dos alunos em outras. Com isso, a demanda é reduzida, o que resulta em menor quantidade de professores, pedagogos e diretores-auxiliares. “O professor perde as horas na direção e precisa voltar para a sala de aula, o pedagogo é obrigado a buscar outras escolas. Quem é efetivo é remanejado, quem é temporário não é recontratado”, analisou Silva. Os diretores da APP-Sindicato disseram que a consequência da sobrecarga imposta aos professores é que as escolas estão sem condições de receber os alunos. Mas não é apenas isso, “temos muitos professores adoecendo e afastados”, afirmou Silva. Essa falta de investimentos deixa o “Estado cada vez mais distante das responsabilidades com a educação”, complementou Rocha. SEM PERDAS - O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Paranavaí, Pedro Baraldi, garantiu que as propostas feitas por Richa não vão resultar em perdas de direitos que já foram adquiridos pelos professores. Conforme informou, as mudanças passarão a valer a partir do momento em que forem aprovadas. Baraldi confirmou a nomeação de 5.522 professores para todo o Paraná, dos quais aproximadamente 80 assumirão salas de aula na região de Paranavaí. Todos eles já entraram no processo de redistribuição de aulas concluído ao longo da última semana. Anteriormente, o chefe do NRE havia informado que não faltam professores, funcionários ou materiais didáticos nas escolas estudais do Paraná. Também disse que algumas medidas adotadas por Beto Richa têm como objetivo garantir que haja mais professores efetivos dentro das salas de aula.
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